A Psicoterapia
Um tempo e espaço para pensar e descobrir-se...
"Desde que mudou de escola, o meu filho tem andado com dores de barriga todas as manhãs. Fui ao médico que disse que ele está bem mas sinto que ele não está, está diferente... mais calado... talvez mais triste!"
Ao longo do seu crescimento, as crianças podem passar por momentos que são vividos
com sofrimento. O sofrimento da criança aparece inúmeras vezes disfarçado mostrando-
se através do corpo (queixas físicas) ou do seu comportamento. Se alguns destes
comportamentos podem ter origem em fases do desenvolvimento ou circunstâncias de
vida e naturalmente terão o seu fim, outros podem arrastar-se no tempo e tornar-se mais
resistentes, constituindo obstáculos ao crescimento.
As crianças são incapazes de perceber e exprimir os seus sentimentos e preocupações da
mesma forma que os adultos. Assim, e após um primeiro momento de avaliação, poderá dar-se início à psicoterapia. Em psicoterapia através do jogo, do brincar, dos
desenhos a criança vai exteriorizando as suas emoções, sendo então possível trabalhar estes
aspectos no sentido de mudanças positivas.
Os pais: " Não sei o que se passa, hoje chegou a casa não quis falar com ninguém ainda tentei puxar conversa mas fechou-se no quarto. Saiu apenas para jantar com olhos de quem esteve a chorar, estes comportamentos têm sido frequentes não sei o que fazer!"
O adolescente: "Hoje cheguei a casa, fechei a porta do meu quarto e deitei-me na cama e só me apetecia chorar. É sempre tudo tão difícil: as amizades, o amor, os meus pais! Só me apetece desaparecer!"
A adolescência é um período de integração de mudanças internas e externas, que podem
ser vividas com maior ou menor dificuldade. Para além da adaptação às transformações
corporais, o adolescente confronta-se com mudanças profundas ao nível dos seus
sentimentos e pensamentos… o início da construção da sua identidade como ser
individual. Nesta fase, podem aparecer ou reaparecer questões afectivas a resolver.
Perante a dificuldade de comunicar ou compreender o seu sofrimento o adolescente muitas
vezes fica em silêncio ou demonstra-o através do seu comportamento. Lidar com tantos
sentimentos e pensamentos entrelaçados, pode ser difícil…
“Tenho uma mão cheia de sonhos e outra cheia de desilusões. Sinto-me ansioso e às
vezes desanimado. A pessoa que vejo no espelho não é bem aquela que gostaria de ser…
Ainda dependo tanto dos meus pais! Preciso de despachar este curso de uma vez! Preciso
de encontrar um trabalho que me sustente! Mais: precisava mesmo de um manual de
instruções para a minha vida amorosa!”
A vida adulta espreita ao virar da esquina e com ela as responsabilidades e a necessidade de
caminhar no sentido da autonomia pessoal, financeira e de uma vida afectiva mais madura.
Nesta fase, muitos encontram-se a realizar os seus estudos superiores (universidades ou
outras formações profissionais) e a deparar-se com inúmeros desafios académicos, sociais
e afectivos. Esta fase exige uma reorganização psíquica e uma conclusão do processo
de descoberta de “quem sou eu? E para onde vou?”. A grande pressão que se faz sentir
e a incerteza quanto ao futuro podem trazer consigo sofrimento psicológico e reactivar
questões emocionais por resolver.
“Às vezes sinto que aspectos da minha vida estão a escorregar-me entre dedos. A exigência
do trabalho, a necessidade de cuidar dos que amo… a frustração de sentir que dar o meu
melhor está a ser pouco. Ontem deitei-me e não consegui dormir: o corpo cansado, a
mente a viajar na tentativa de encontrar soluções. Levantei-me, percorri a casa silenciosa e
lá por trás do ruído dos meus pensamentos ouvi-me perguntar: Então e eu?”
Aos adultos é muitas vezes exigido o desempenho de vários papéis. Ora são pais, filhos,
profissionais, amigos, companheiros... e gerir estas múltiplas funções nem sempre é fácil.
Com o passar dos anos há certas formas de sentir, agir ou de pensar que parecem se ter
instalado, dificultando áreas da vida, especialmente alguns relacionamentos de maior
intimidade. A vontade que “tudo corra bem” pode colocar o adulto em esforço, muitas
vezes sem os resultados esperados.